março 01, 2004

Chegada a Luanda

A viagem a bordo do Uíge chegara ao fim. Passámos onze dias de um agradável convívio pois o grupo já se conhecia há algum tempo e preparava-se para conviver mais dois anos.
Para trás ficavam a família, os amigos, a namorada e, em muitos casos os filhos.

A meio da tarde começámos a avistar terra. O sol fazia brilhar alguns vidros, o que nos estimulava porque “cheirava” a civilização. Os receios de encarar de chofre com a imagem que se fazia de África, onde a sanzala predominaria, ficaram dissipados.

Os que viajavam pertencendo a companhias saíram integrados nesse sistema organizativo. Nós, que tínhamos sido mobilizados em rendição individual, fomos dos últimos a abandonar o paquete.

Com as malas já numa camioneta que nos haveria de conduzir à Companhia de Mobilização e Recompletamento - conhecida pela sigla CMR 113, a que, simpaticamente, chamávamos de Companhia de Malandros e Reguílas, tal o ambiente de indisciplina que ali se vivia – preparava-me para dirigir à camioneta que me haveria de levar ao meu novo «hotel» quando fui abordado pela patrulha da PM que achava que o meu cabelo estava muito grande, como se fossemos perder a Guerra por causa de um militar estar ou não mal ataviado.

Como nada tinha a perder respondi de forma incorrecta ao alferes da PM, dizendo-lhe que se achava que eu estava mal que me castigasse enviando-me de regresso pois podia até aproveitar o navio que ainda ali se encontrava.

O oficial da PM mostrou ter alguma capacidade de missão e disse para o furriel que o acompanhava: - “Este mesmo agora chegou e já vem cacimbado”. Dizendo isto afastaram-se e lá fui ao meu destino imediato, lá para os lados de Alvalade e da Igreja de S. Paulo da Anunciação de Luanda.

Publicado por Jorge Santos - Op.Cripto em março 1, 2004 12:14 PM
Comentários