Como nos diziam, “a cidade é Luanda e tudo o resto é mato”.
A semana que passámos na capital de Angola poderia ter servido de ambientação para os dois anos que tínhamos pela frente no Leste, mas tal não aconteceu, nem no que toca ao clima nem às vivências. Luanda era, de facto, diferente de tudo. Qual o militar que não se recorda dos cafés-cervejarias Versalhes, Portugália, da avenida marginal, da ilha, da Mutamba, da zona de Alvalade, onde estavam os quartéis CMR, Adidos e PM.
O clima em Luanda é, na época das chuvas ou do cacimbo, muito diferente do que iríamos apanhar no Luso. Enquanto em Luanda tínhamos que ingerir muitos líquidos, no Luso, tal não era tão necessário, porque não havia tanto calor, mas não quer dizer que não o hábito de beber não fosse exercido.
Para se ficar com uma ideia das temperaturas que caracterizam o Leste dizemos, como exemplo, que nestes dias a cidade do Luena regista 26º de temperatura máxima e 17º de mínima.
Recordo-me de que, na véspera de iniciar a viagem para o Leste, em conversa com um outro militar que também estava na CMR 113 a aguardar transporte para uma outra localidade, que não me disse qual era, mas constatei que o indivíduo viria a ser meu companheiro de viagem, o que me deixou muito surpreendido.
O meu interlocutor disse-me, quando soube que íamos para o Luso: - “Para o Luso? É uma zona muito perigosa, até põem minas à porta-de-armas dos quartéis”.
A estória foi contada com tanta convicção que, apesar de nunca ter tido a mania de chegar a herói, me deixou tranquilo, pois pensei para com os meus botões: - “Então os sentinelas estão a dormir nos postos? Não poderia ser verdade. Os nossos militares não poderiam ser tão distraídos ao ponto de se deixarem surpreender à porta de «casa».
Faz hoje 34 anos que era véspera de iniciar a viagem para o Luso e distribuíram-nos três rações de combate (caixa com duas pequenas latas de conserva, um pacotinho de sal, doce, bolachas que substituem o pão, leite condensado e pouco mais), a arma (a famosa mauser que mais parecia um cajado), e um pacote com cinquenta munições(talvez, seriam tantas?), que me apressei a meter no fundo do saco, juntamente com a culatra, para que não me a roubassem.
Os preparativos estavam feitos e restava-me aguardar a última noite, numa caserna sem as mínimas condições para albergar gente, para que me levassem, manhã cedo, para o machimbombo que me transportaria até à povoação de General Machado, no Huambo, onde apanharia o comboio, conhecido por “Mala”.
Publicado por Jorge Santos - Op.Cripto em março 7, 2004 09:46 PMNão há dúvida q os Portugueses andaram aí.
Substitua-se Luanda por Lisboa.
Por incrível q pareça, vou linkar-vos na Rede de Blogs Locais..:-))
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