março 08, 2004

De Luanda ao Dondo

No dia 8 de Março de 1970 era domingo. Chovia muito em Luanda.
Manhã bem cedo, ainda noite, saí da CMR 113 num jeep até ao local onde haveria de apanhar o machimbombo (seria a Mutamba?) que nos haveria de levar até à povoação de General Machado, na província do Huambo.

Do percurso pela cidade de Luanda retenho a imagem que sempre me faz lembrar uma viagem de barco, tal o rasto que a viatura deixava na água que cobria as ruas.

Luanda iria ficar para trás e a angústia pelo desconhecido apoderava-se de nós, pelo menos de mim, embora não se pudesse falar de medo, pois pensava que outros tinham passado por aquela experiência e nada de mal lhes tinha acontecido.

Do percurso nada há de extraordinário pois não passou de mais uma viagem de autocarro.

O almoço, à base de ração de combate, terá sido ingerido numa localidade de que não recordo o nome, mas que deveria ter restaurante porque o motorista não estava sujeito à escassez alimentar a que os militares se submetiam, quer por falta de dinheiro, quer por não saber por onde andava.

E porque em Angola não viajávamos depois do pôr-do-sol, o jantar e a pernoita aconteceram no Dondo. O resto da ração de combate, certamente reforçado com algo que vinha na bagagem, uma volta, curta, porque a povoação, uma estrada a que chamávamos de principal, com umas casas de um lado e do outro, não daria para grandes passeios e o ambiente era desconhecido.

A mauser estava no porta bagagens, aqueles por cima dos bancos, e as munições atavam dentro do saco de viagem, onde tinham sido colocadas na véspera.

Publicado por Jorge Santos - Op.Cripto em março 8, 2004 01:15 AM
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