A noite no Dondo não foi coisa fácil. Dormir sentado no banco do machimbombo, sem espaço para nos voltarmos nem para estender as pernas, deixa qualquer mortal sem vontade de querer seguir mais umas boas horas naquele transporte.
O despertar não terá sido difícil e havia que aproveitar os minutos que antecederam a partida para se dar umas passadas para estender as pernas e para fazer o xixizinho atrás da árvore.
Quilómetros e mais quilómetros, alguns dos quais a tentar dormir, por insuficiência de comodidade na noite anterior e porque a que se aproximava também não tinha melhores perspectivas, e lá chegámos, a meio da tarde, a General Machado, uma terra pequena, donde tenho a imagem perfeita do quartel que nos deu abrigo de tecto porque a cama, pelo menos a minha, foi um banco do refeitório, perto de um buraco que daria acesso à cozinha e donde vinha uma aragem incomodativa.
As malas e sacos de viagem foram guardados no tal quartel, no centro da povoação, mas tínhamos de andar de mauser às costas, porque arma e militar são unos.
E aqui aconteceu-me ter de dar um valente murraço num camarada - que na sua ingenuidade ou infantilidade só admissível porque não passávamos de uns rapazolas, no meu caso de 23 anos de idade, a que chamavam de combatentes – porque, ao armar-se em guerrilheiro, me apontou a espingarda à barriga e quando deu por ele estava virado para o outro lado, certamente a jurar a ele próprio não voltar a repetir a brincadeira com mais ninguém.
O resto do dia foi, como se deve calcular, “divertidíssimo” com algumas dezenas de tropas a deambularem pelas ruas, sem nada que fazer nem para onde ir, a aguardar que o sol se pusesse para, embrulhados na noite tentar dormir mais umas horas, a aguardar que chegasse a hora de, no dia seguinte, apanhar o Mala que nos levaria ao Luso.
Publicado por Jorge Santos - Op.Cripto em março 9, 2004 01:41 AMPassei algumas vezes pelo Dondo em idas a Luanda e lembro-me da estrada principal com umas casa de ambos os lados e principalmente dos mosquiteiros com que tínhamos que cobrir as camas para fugir às pragas que nos atormentavam. Recordas-te Jorge?
Afixado por: Luís Cruz em março 9, 2004 06:27 PMGOSTEI DE LER TUDO O QUE ESTÁ ESCRITO POIS FEZ-ME REGRESSAR AOS ANOS 1963-1965 QUANDO ERA SEGUNDO SARGENTO MILICIANO NA CART 419 E QUE TAMBÉM DEAMBULOU POR ESSAS PARAGENS APESAR DE TER ESTAO 28 MESES NO NORTE(MUCABA, MUSSERRA, CASA DA TELHA, SERRA DA CANDA, ETC.ETC.ETC.).CONTINUEM QUE VOS IREI ACOMPANHANDO. UM ABRAÇO
Afixado por: acácio simõea em abril 8, 2004 07:56 PMGeneral Machado - Angola.
Estive lá catorze anos. Era uma cidade pequena, mas arrumadinha.No concelho, conheci ainda os postos administrativos de Quanza, Muinha, Ringoma, Umpulo, Luando. Gostei da Missão, que ficava a cinco quilómetros da sede.Nos princípios da minha estadia ali, era agradável ir aos sábados à tarde esperar o comboio mala, assim conhecido por transportar o correio e passageiros.Viva o Delta Clube de Camacupa.
Ao revisitar a página,encontrei o comentário do sargento Acácio Simões, onde diz que esteve na casa da telha. Eu também lá estive, de Abril/64 a Abril/65. Não sei se o Sargento é desta data. A propósito, gostava de saber se hà algum militante que tenha estado na 7ª. C.C do Ril, dentro daquelas datas, para um possível encontro?
Cumprimentos para todos o que navegam nesta página.