Depois de ter conhecido os camaradas que estavam de serviço no Centro Cripto do Comando Militar Leste (COMZML) e o alferes Serra, visto que o primeiro-sargento José Azeitona Costa tinha-nos esperado na estação do CFB, fomos fazer a entrega da mauser, já com a respectiva culatra no lugar e as quarenta e oito balas que tal como esta tinham feito toda a viagem no fundo do saco.
Com a entrega da mauser quando cheguei ao Luso não sabia eu que nunca mais haveria de pegar numa arma, mesmo estando numa das zonas mais operacionais de Angola, mas disso falaremos noutra altura.
Tudo isto aconteceu entre as dez da manhã e o meio dia, altura em que fomos almoçar a um restaurante, que nunca tive muito presente como se chamava, mas que ficava situado entre o Comando e a Avenida António José de Almeida - para os que não se lembram, aquela onde está a estação do CFB.
Desde o dia que cheguei ao Luso, o que aconteceu a 11 de Março de 1970, sempre tive a imagem, que ainda mantenho, de que tinha entrado no restaurante que ficaria num lado da rua, quando na realidade essa entrada estava, no outro. Ao longo dos vinte meses fui várias vezes a esse restaurante, não muitas, mas, curiosamente, trinta e quatro anos passados mantenho a mesma ilusão. Se a memória não me atraiçoa, subiam-se alguns degraus e a entrada para a sala era mais no interior do edifício. Creio que havia uma pensão no andar superior, que pertencia ao mesmo dono.
Imagem que guardo, correcta e perfeita, é a do lanche na pastelaria Cristália, na companhia de dois dos Operadores de Cripto que tinham acabado a comissão. Falo do Fareleira e do Simões, naturais de Viseu e de que nunca mais tive notícias.
Desta incursão pela sociedade luena tenho como recordação o facto de ter comido um bolo e bebido uma cerveja, hábito que ainda hoje conservo pois fiquei a gostar do contraste do doce com o amargo da bebida, e dos “velhinhos” militares me terem dito que nada tinha a pagar.
“Maçarico”, fiquei atento a todos os pormenores para não cometer qualquer erro que me trouxesse complicações, reparei que nenhum deles pagou o que eu havia consumido e disso lhes dei conta, ao que me disseram que ali era assim. E era...
Publicado por Jorge Santos - Op.Cripto em março 12, 2004 01:05 AMTambém não me recordo do nome do restaurante nem do local! Seria a casa "Candimba"?
Curioso! Esse hábito dos bolos na Cristália acompanhados com cerveja ficou enraizado em muita gente, até em mim.