Dissemos que várias coisas que tínhamos em casa eram “adquiridas” nos restaurantes e o método era simples. Entrávamos no restaurante, normalmente o Universo, porque o caminho para levar as coisas para casa era o mais curto. Tudo se passava-se assim: Sentávamo-nos e, num ápice, antes que o Alberto, era assim que se chamava o empregado, chegasse para receber o pedido, a toalha era enrolada e entrava para baixo da camisola de um de nós. De imediato havia a cena, que deixava o funcionário sem resposta: - “Então esta mesa não merece toalha?”
O empregado deveria pensar lá para com os seus botões; “estes gajos devem ser parvos, ocupam a única mesa que não tinha toalha”.
Ultrapassada a “compra” da toalha, tudo se passava como se nada tivesse acontecido.
A malta gostava do bife com todos. Custava vinte e cinco escudos. Era um espectáculo. Um bom bife, batatas fritas, ovo, e muitos picles.
Enquanto a refeição não chegava, eu, falo por mim, porque o Zorba, bebia o dobro, marchavam duas cervejas e durante a refeição seguiam mais quatro. Era assim ao almoço, igual dose ao jantar e, à ceia, por volta da meia noite, a coisa não era diferente.
Se a cena da toalha de mesa dava trabalho e necessitava alguma destreza, a “compra” de pratos não era fácil.
A mais espectacular aconteceu com o Fernando Curval a transportar dois pratos rasos nas calças. Um ligeiro desapertar do cinto para que os objectos tivessem acesso à região do traseiro e eis que vão caminho de casa.
Do mesmo autor é o feito de tomar posse de uma cafeteira de levar a água quente, que estava sobre o balcão, com o pequeno pormenor de a mesma ter acabado de servir, o que quer dizer que o rapaz se começou a sentir húmido ao nível da barriga, com o blusão de tecido fino a denunciar o crime.
Muitos copos de imperial carreguei eu para casa porque o João, era o nativo que arrumava a casa, metia um copo no outro e o material, como é natural, não resistia.
Cheguei a sair do café com três copos na mão, como fazem os empregados quando levantam a mesa.
As “compras” eram de tal maneira úteis que quando chegou ao Luso a esposa do Orlando ofereci-lhe três exemplares de pratos rasos, de sopa, talheres, copos e uma travessa. Eles eram dois mas eu não queria correr o risco de me convidarem e não terem prato para mim. Mas aconteceu pior ainda. Nunca me convidaram...

Almoço às quarto da tarde, no Esplanada-Bar, no dia 1 de Janeiro de 1971. Toninho, condutor da 25ª de Comandos, eu e o Duro, todos de Setúbal e o Orlando, de Almada
Curioso! Grandes tainadas nessa sala do Esplanada-Bar, do meu amigo Castro.
Cerveja? Cervejas? Oh! Eu e o Pelejão uma vez fomos fazer uma jantarada de lagosta e cerveja no Esplanada. Nunca fui grande apreciador de marisco, mas naquele dia estávamos inspirados, o que não era nada difícil e comemos e bebemos sem dar conta. Eu e o Pelejão tínhamos muitas máximas, uma delas era: Vamos beber a penúltima! A última havemos de beber um dia! (infelizmente ele já bebeu a última). Há muito boa gente que recorda esta máxima, ainda hoje.
Mais curioso ainda é que há uns anos tive uma patuscada de leitão em casa do Castro, e não no Espalanda-Bar, aqui em Portugal. Já nos encontrámos várias vezes no encontro anual do Luso, não o de lá, mas o daqui. O pessoal é que é maioritariamente de lá. Gente muito boa. Alguns deixam sempre saudades.
Caro Luis Cruz, ergo o meu copo à sua saúde, porque a máxima do meu pai continua viva - vamos ao penúltimo, que o último só à hora da morte.
Um abraço
Rui Pelejão
Afixado por: Rui Pelejão em abril 14, 2004 01:24 PM"Vamos ao penúltimo copo! O último há-de ser um dia!"
Não te posso dizer, Rui, se o autor desta máxima foi teu pai ou eu (?). Sabes, é que tínhamos muitas e todas com imensa piada. Criávamo-las para nosso gozo pessoal, fruto de um sentido de humor bem apurado que nunca perdemos.
Este blog tem-me proporcionado algumas alegrias, mas esta supera todas: um comentário do filho do meu maior amigo - Pelejão Marques.
Baden Powel disse um dia: "A amizade é como a árvore: semeia-se, nasce, cresce e morre".
Esta parte final só é verdadeira quando a amizade é magoada, doutro modo, os amigos nunca morrem.
"Ontem bebemos um copo; hoje, para o dia não ser igual vamos beber outro".
Um abraço
É com incontida emoção que leio os comentários do Rui Pelejão e do Luís Cruz.
Hoje ao almoço dei a notícia ao Zeca Curto, ex-furriel da PM, que ficou sensibilizado como é natural.
Porque bebíamos sempre a comemorar qualquer coisa elegíamos o dia de "ontem" como pretexto e no dia seguinte repetíamos a cerimónia.