março 17, 2004

Futebol de Salão

O futebol de salão era uma modalidade muito acarinhada em Angola. O Luso não fugia à regra e eram vulgares os torneios, quer no polidesportivo do Jardim Oliveira Salazar, onde as garotas, de que me recordo da filha do sapateiro, que morava ali em frente, à tarde jogavam basquetebol. Outro campo onde se jogava futebol de salão era o Ferrovia, um pouco mais distante, mas com outras condições para os adeptos.

Confesso que não gostava de futebol de salão, se bem que a modalidade fosse muito divulgada na cidade que me viu nascer. Recordo que o famoso Vítor Baptista, «o maior» de quem eu era amigo e a quem tive oportunidade de fazer, para a Revista «Mundial», uma das últimas entrevistas que concedeu antes de falecer.

Entretanto, porque tínhamos jogado andebol em Setúbal, eu e o Francisco Duro, no Vitória de Setúbal, e o Marques, que era condutor da PM, no Clube Naval Setubalense, pensámos em fazer um torneio desta modalidade, mas as coisas não resultaram e depois, porque precisavam de um guarda-redes para o futebol de salão insistiram comigo e acabei por ceder, na condição de fazer um único jogo.

As coisas terão saído bem e não mais consegui arranjar argumentos para convencer os meus camaradas Op.Cripto de que não gostava daquilo.

As exibições foram-se sucedendo e acabei por ser o guarda-redes menos batido na primeira fase do torneio, antes de se entrar nas eliminatórias.

Mas nesse torneio houve algumas complicações, que passaram pela cor dos equipamentos e pelo nome da equipa a que queríamos chamar de “clube”.
Pretendemos colocar nas camisolas as iniciais de Clube do Centro Cripto, só que Centro Cripto, só por si se designava por CCP e ainda havia a palavra Centro. Claro que não tivemos sorte, porque se percebia que estávamos a querer fazer alusão à URSS, que em cirílico se escreve CCCP.

A cor dos equipamentos também não recebeu o consentimento do alferes Serra, nem do 1.º sarg. Azeitona Costa, que, embora partilhassem dos nossos ideais políticos nos travaram na acção e acabámos por envergar calção e camisola preto e meias vermelhas.


Esta foto foi captada a 26 de Março de 1971, no campo do Ferrovia e da história do jogo ficou o resultado: Criptos da ZML,1-C.Const. 2678, 2.
DE PÉ: Alferes Serra, Carvalho, Laranginha Martinho, Jorge Santos, J. Moreira de Sá, 1º sarg. Azeitona Costa. EM BAIXO: Mário Fonseca, Francisco Duro, Zé Luís e Cabrita Lopes.

Publicado por Jorge Santos - Op.Cripto em março 17, 2004 12:05 AM
Comentários

Meu Caro Jorge Santos:
Recordo-me muito bem desta grande equipa de futebol de salão. Pois os "craques" que estão presentes nesta foto, são todos do meu tempo e quase de todos fui grande amigo, como por exemplo do Mário,por causa do seu cabelo muito louro, eu lhe chamava o "russo", que por sinal a jogar á bola era muito bom, mas muito "reguila". O Cabrita, também era um "craque", assim como o meu amigo Francisco Duro. Mas o Guarda-redes, desculpa lá Jorge, mas grande tinhas futuro nesse lugar. Foi pena o Vitória não ter o teu conctato.Mas com tudo isto eu faço lembrar que no Luso existia um Batalhão que cujo nº. era 3831, e tinha uma grande equipa de futebol de salão, onde os criptos do COMZML, nunca conseguiram ganhar. Inclusivamente nesse torneio que eu assisti. Pois salvo erro o mesmo torneio foi ganho pelo Batalhão, que pertencia também ao Luso. ou só existiam no Luso o COMZML?
Nesta equipa do Batalhão 3831, jogavam o Serra do Barreirense, o Seninho do Porto, e o Chico Gordo também do Porto. Lembram-se !Jogavam também no Futebol Clube do Moxico.
Bem desculpem lá esta minha intervenção! mas foi só uma lembrança para todos.

Afixado por: Augusto Martins em março 17, 2004 08:55 PM

Camarada Augusto,
Em primeiro lugar, em meu nome e do Luís Cruz, quero dizer que não tens que pedir desculpa pela intervenção. Apesar de eu e o Luís termos boa memória, consideramos que todos os pormenores são úteis e bem vindos para nos ajudar a reconstituir todos os pormenores vividos naquela região e agradecemo-los.
Era, de facto, uma boa equipa, mas não fomos campeões. Creio que a final foi disputada pelo Bcaç 3831 e pela PM.
O Mário Fonseca era um jogador espectacular e jogava numa das equipas do Luso, creio que o Sporting. Ele era federado. Jogava numa equipa da Guarda, donde é natural. Foi pessoa com quem nunca mais tive contacto, se bem que tenha ido à Guarda à procura dele.
É natural que tanto eu como o Luís falemos mais no ComZML, pois foi aí que cumprimos a nossa comissão de serviço, mas recordo que havia o Batalhão, que antes se denominava 2878, comandado pelo meu conterrâneo, tem.cor. Carvalho Fernandes, meu vizinho em Setúbal, mas com quem nunca falei, se bem que tenha sido colega de Liceu dos dois filhos.
Haviam as Companhias de Comandos, de que irei falar numa destas estórias. Havia o Ecav 403 (Dragões) já aqui abordado pelo Luís Cruz, mas com mais estórias engraçadas, como aquela do alferes que era tão militarista que exigia que as praças dormissem com pijama camuflado, porque não queria ninguém à civil na unidade.
Havia a CConst. 2678 que ficava aquartelada perto da Bart 2431. E havia também a CCaç 2532.
Havia os paraquedistas, com a sua república dos Saltimbancos. Os fuzileiros, também por ali estavam.

Afixado por: Jorge Santos em março 17, 2004 10:03 PM

Meu Camarada Jorge:
Quando eu fiz questão em colocar neste "blog" o Batalhão 3831,estou a tentar que outros camaradas nossos que estiveram no Leste de Angola, naquela área do Moxico, se apercebam que existe neste momento por esta via, pessoas que estiveram dois anos naquela província, e que estão a recordar os seus melhores momentos que lá viveram. Sim recordo a CCS do Bat.2878,pois fomos nós Bat. 3831 que os rendemos, onde ainda tive o previlégio de criar amizade com os criptos "Velhinhos" da CCS desse Batalhão, que o
Jorge ainda se recorda, que eram o Pedro e o Marques, este que era um ferranho cidadão de Coimbra.Entretanto claro nesta pequena cidade ainda estavam instalados as Companhias de Comandos, a Manutenção Militar,o PAD que controlava o Aeroporto, os Dragões, que cujo quartel situava-se junto ao campo de Futebol do Moxico.O pessoal do Hospital que praticamente era tudo militares, os Fuzileiros, a PM. Enfim havia uma infinidade de pessoal, que podem ler estes blogs e irão certamente comentar todos os seus melhores momentos quando integrados nas respectivas Companhias que estavam estacinadas, por aquele canto de Angola. Por isso posso comentar algumas situações do BAT 3831, assim como todos esses camaradas poderão também faze-lo.Portanto foi com a intenção de abanar esse pessoal que eu comentei que no Luso não existia só o COMZML.
Junto envio uma foto do pessoal do Centro de Mensagens e do Centro Cripto da CCS/Bat 3831, onde estou eu (ao lado do nosso amigo Amaral),ao meu lado esquerdo está o Manuel Lino, o Francisco Santos, O furriel Angelo (Já falecido),Manuel Neto (mora em Setubal),o José Rainho Soles,Rodrigues,e o Carlos Antunes.

Afixado por: Augusto Martins em março 18, 2004 01:42 AM

Camaradas do Leste,
O pessoal anda muito preguiçoso e então com as leituras é uma desgraça!
Augusto, olha que a memória às vezes atraiçoa-nos! Há um grande amigo nosso, Acácio Conde, que é leitor assíduo daqui do L.A., é um homem atento ao que dizemos e que, com isso, tem sido ajudado a reviver algumas passagens.
É curioso que o Conde me contou há algum tempo uma passagem nossa naquilo que poderia ter sido um acidente de aviação e que eu não recordo! Por outro lado recordo e tenho fotos de alguns locais que visitámos durante essa viagem de serviço! A memória prega-nos estas rasteiras!
Algumas coisas varreram-se-me da mente, teimosamente, como a existência do PAD junto ao aeroporto!
Quanto mais dicas, mais vamos recordando.

Afixado por: Luís Cruz em março 18, 2004 08:55 AM

Moiwenu, amigos do Leste de Angola!
Tenho acompanhado com muito interesse e procuro ter as leituras em dia dos textos destes nossos esplêndidos reporteres de guerra, cem por cento em forma...Autênticas memórias de elefante! São tantas as recordações deste período intenso da curta história das nossas vidas que aquilo por que passámos há pouco mais de trinta anos nos parece simultaneamente longe e perto no tempo...
As deliciosas fotografias que nos vão sendo dadas a conhecer ou a relembrar são o testemunho vivo de que fizemos grandes amizades, que as circunstâncias da vida separaram, mas que recordamos com um são espírito revivalista de jovens apanhados pelos ventos da História...
Neste já longo comentário só posso formular votos de que não falte a veia aos nossos inspirados historiadores bloguistas e que cada um de nós possa passar palavra para que a rapaziada que esteve por aquelas terras do Luena
entre 1969 e 1973 dê um sinal de vida e, por que
não, esta iniciativa possa vir a ser a semente para um reencontro futuro!
Duas precisões: Julgo que a CCaç 2532 fazia a protecção ao Aeroporto e dela fizeram parte os
Alferes Órfão e Meneses (já falecidos),o Rola e o Helder Vicente;o comandante era o Cap. Martins Dias,salvo erro; a BTR 522 é que ficava na saída sul do Luso,no início da estrada para o Lucusse,era comandada pelo então Cap. Garcia Leandro, genro do General Moura dos Santos e que veio a ser mais tarde Governador de Macau e é hoje também General...se o ficheiro está certo.

Afixado por: Acácio Seabra Conde em março 18, 2004 07:04 PM