março 23, 2004

O álcool e as “luzes”

Não se poderá dizer que a vida dos militares no Luso fosse passada de copo na mão, mas havia alguns que faziam gala de mostrar que bebiam mais do que de facto conseguiam.

Depois do Fernando Curval ter sido levado para casa completamente embriagado, o Francisco Duro deixou a promessa de que o próximo a “encostar às boxes” seria eu e a oportunidade chegou numa bela noite em que fomos com o Fernando Diogo, natural do Lobito, condutor de Panhard dos “Dragões” do Ecav 403, para uma farra na “República do Saltimbancos”, que pertencia aos especialistas da Força Aérea, onde aparecia às vezes o Vitor Rego, um pegador de touros, vindo, de tempos a tempos, de Henrique Carvalho até ao Luena.

O Zorba, o tal que chegava ao restaurante e pedia doze cervejas, fez uma bela sangria, com vinho do Dão e um conjunto de boas garrafas que passavam pelo gin e pelo whisky, num alguidar, o que deu bebida para toda a gente.

Para se avaliar a capacidade do Fernando Diogo, pode dizer-se que chegou a beber, noutra altura, perto de setenta finos numa noite, mas também convém, a bem da verdade, que se diga que não acertou com a casa e foi dormir para o CFB.

O Francisco Duro, fraco de físico, não tinha a resistência que pensava ter e acabou armado em valentão com o PM que estava de serviço na porta do Luso Hotel e foi a custo que convenci aquele nosso amigo a não chamar a ronda para o levar para casa, ou, eventualmente, para o quartel junto ao Cine-Teatro Luena.

Recordo-me de, lá para as quatro da madrugada, ter dito para a Francisco Duro que saísse do meio da rua por causa de um carro que se aproximava, mas a bebedeira era de tal maneira mais forte do que o discernimento que apanhei como resposta: “Vejo muito bem o carro. São aquelas luzes além”.

Deve esclarecer-se que as luzes que o Duro estava a ver eram os dois lampiões que estavam no portão da casa do Governador de Distrito, situada na rua do Luso Hotel, lá bem ao fundo.

Lá arrastámos o meu conterrâneo até casa, o que não terá sido muito difícil, porque o caminho era curto, visto que morávamos perto do Universo.
Mais tarde o Fernando Diogo disse ao Duro: “Não tentes embebedar o Jorge”.


Francisco Duro e eu, frente à Casa Universal, que está atrás de mim. No mesmo passeio ficava o Luso Hotel


Eu, armado em sinaleiro no mesmo cruzamento mas fotografado do outro lado. Vê-se o letreiro da Casa Universal, que era agente da Volvo

Publicado por Jorge Santos - Op.Cripto em março 23, 2004 12:28 AM
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