Amadeu Verdasca Reis foi operador de cripto no ComZML e era, tal como outros, uma figura carismática entre os militares.
Muitos são os episódios que poderão ser descritos tal a forma participativa com que vivia o dia a dia no pouco tempo que esteve no Leste de Angola, donde saiu, em finais de 1970, evacuado por doença, que nunca soube qual era.
O Amadeu dizia-se toureiro.
As coisas da tauromaquia nunca me passaram muito distantes mas, confesso, aquele nome nunca me foi familiar. Digamos que, para que se tenha como verdade a versão do nosso camarada de armas, que seria “novilheiro”.
Fosse ou não verdade, o mal não vinha ao mundo por causa disso.
Todos recordamos os momentos que passámos nas margens do Rio Luena.
Em dias de folga a malta ia até ao rio apanhar um “bocado” de sol e dar uns mergulhos, onde a profundidade permitia, e nadar, mesmo tendo em atenção a grande corrente que a água ali tinha.
Gosto de tauromaquia. Sei o que é um afarolado, um passe de cabeça a rabo ou uma boa pega de caras. No toureio a cavalo tenho a noção do que é um ferro a sesgo e o que é levar o touro na garupa. E isto dava-me para, com a toalha de praia, desafiar o Amadeu a, comigo ensaiar uns passes como se estivéssemos perante uma tourina ou um novilho. O Verdasca Reis acompanhava-me. Correspondia ao meu desafio. Enfim, eu conseguia levá-lo para onde queria.
Depois de fazer os primeiros passes passava a “faena” ao Amadeu que, como cabeça de cartaz, se exibia e quando a “aficion” estava no auge, a malta mandava-lhe “flores” que, porque não tínhamos florista à mão, optávamos por fazer umas bolas de lama e ervas e enquanto se gritavam uns “olés” dizíamos-lhe: “Toma lá flores”.
Por incrível que pareça, esta cena repetia-se vezes sem fim. Sempre que o grupo ia a banhos. A malta não se cansava de ver o Amadeu Verdasca Reis a “trourear”. Certamente que nem todos ficaram a gostar de touradas, mas pelos menos ficaram, os que se deslocavam às margens do Luena nos dias de “corrida”, a saber como é que se mandam “flores” a um toureiro.
Fotos: Não tenho fotos onde esteja o Amadeu Verdasca Reis, mas recomendo que vejam o “post” “Rio Luena” que o Luís Cruz aqui colocou ontem. São imagens que nos ajudam a matar saudades dos bons momentos que ali passámos.
Publicado por Jorge Santos - Op.Cripto em março 29, 2004 12:52 AMEstive hoje ao telefone com o António Laranjinha Martinho, também ele op.cripto da BTR mas que fazia serviço no ComZML e fiquei satisfeito por saber que está bem, é um notável farmaceutico em Lisboa.
Ao dar-lhe a conhecer este nosso blog, falámos do Amadeu Verdasca Reis, um nossa camarada que pertencia aos Dragões e que aqui refiro. Fiquei contente por saber que o nosso comum amigo Verdasca Reis está bem e certamente um dia destes marcaremos um encontro. A malta começa a reunir-se.
Curiosamente, graças a este Leste de Angola, já descobrimos o paradeiro de alguns antigos camaradas nossos. Estou convicto que outros se juntarão com o tempo.
Afixado por: Luís Cruz em março 29, 2004 11:51 PMOlá Jorge,vim hoje pela primeira vêz a este sitio.
Os meus agradecimentos por me fazeres lembrar os velhos tempos do leste. Eu era o amigo do Amadeu,um dos comandos (14ª)que vestia as tuas camisas. Uma passagem com o Amadeu, fomos a uma festa num clube (não me lembra o nome)jogámos no "bingo" e saiu ao Amadeu 1.500$, fomos á uma da manhã para uma esplanada comer um galo e foi festa até de madrugada.
Bem haja António Vieira