março 30, 2004

Os criptos do Bcaç 2878

Temos falado do Batalhão de Caçadores 2878, sediado junto ao aeroporto, comandado pelo tenente-coronel Carvalho Fernandes, que tinha o major Rosa Ferreira como segundo comandante e já aqui nos apareceram comentários do op.cripto Augusto Martins que com o Amaral preenchiam o quadro do Centro Cripto do Bcaç 3831, que os substituiu.

Se os operacionais de uma unidade têm estórias para contar, porque no dia a dia lhes acontecem as mais variadas peripécias, aos operadores de cripto nada digno de uma crónica de guerra pode acontecer.

Mas os criptos do 2878 eram diferentes. A vida deles dava uma estória, não por serem alentejanos, mas pela simplicidade dos seus procedimentos, quer como militares quer como cidadãos de um mundo que nada tinha a ver com os interesses que estavam a defender numa guerra que não era a deles.

O Gerónimo, técnico da EPAC em Vendas Novas, tinha uma compostura que só era afectada depois de uma boa almoçarada à alentejana, como a que tivemos no dia 6 de Setembro de 1970, na Pastelaria Luso.

Exemplar, como tantos outros no desempenho das suas obrigações militares, Gerónimo era aquilo que se pode ter como exemplo de camaradagem.

Fora do Centro Cripto, Gerónimo fazia por amigos todos os que com ele contactavam sem perder a personalidade. Bom contador de estórias e se sentido de humor apurado, fazia boa parelha com o Talaia, seu camarada de incorporação.

O Talaia era completamente diferente mas igualmente acarinhado por todos e sabia ser amigo do seu amigo.

Nas horas difíceis lá estava, sempre com um sorriso por muito complicada que fosse a situação.

Curiosamente, a maior parte dos operadores de cripto do Batalhão tinham que pernoitar na unidade pelo que não lhes era possível alinhar nas grandes noitadas que fazíamos na cidade. Tinham, contudo, a possibilidade de telefonar para o quartel para os virem buscar, sempre que queriam regressar.

Devo-lhes, assim como a maior parte dos criptos do ComZML, o termos sido convidados pelo major Rosa Ferreira, a ir comemorar a passagem do ano de 70/71 no Batalhão, mas disso falaremos noutra altura.


Gerónimo e Carlos Martins. Eu, em baixo, no almoço à alentejana, na Pastelaria Luso, a 6 de Setembro de 1970


Talaia e eu em frente ao Comando Distrital da PSP


Mário Fonseca, Talaia, Francisco Duro e eu, todos op.cripto

Publicado por Jorge Santos - Op.Cripto em março 30, 2004 12:34 AM
Comentários