No dia em que cheguei a Luanda, recordo-me perfeitamente, quando me levaram, de camioneta, desde o porto até ao Regimento de Infantaria 20, onde estava instalada a CMR 113 (Companhia Metropolitana de Recompletamento), vi um conterrâneo que certamente estava na cidade de passagem.
Mais tarde vim a encontrar o Arnaldo no Luso, integrado numa daquelas unidades que estavam em volta da cidade.
Este encontro nada teve de especial, pois muitos setubalenses foram, tal como nós, mobilizados para a Guerra de África e uma boa percentagem esteve no Leste de Angola.
Encontrei também alguns civis que ali tinham cumprido a comissão de serviço e optaram por ficar.
O António Mouzinho Rato trabalhava no Caminho de Ferro de Benguela, era, se a memória não me falha, maquinista do “Mala” e vivia no Luso com a esposa e filho, um miúdo que em 1970 tinha sete anos de idade.
Um belo domingo reunimos, eu e o Arnaldo, em casa do António Rato, a ali fizemos o melhor frango de churrasco que comi em toda a minha vida. Não sou grande “garfo” mas recordo com saudade aquele pitéu. Não sei se o frango tinha sido criado com alguma alimentação especial, se as brasas estavam à altura perfeita, se era o tempero, à base de “gindungo”, que estava no ponto, ou fosse lá o que fosse, o certo é que sempre digo: “churrasco é em Angola”. E não há mais conversa.
Estive com o Arnaldo mais algumas vezes no café Universo e no Pic-Nic e por vezes cumprimentamo-nos em Setúbal.
Com o António Rato estive também outras vezes no Luso. Recordo de uma noite em que fomos tomar um copo num bar de aspecto modesto num quimbo lá para os lados do rio Luena, onde havia umas “morenas” que estavam à espera que lhe pagássemos um copo.
Desse encontro ficou-me na lembrança que bebemos um “whisky saloio”, que não passava de um martini com água das pedras. Era a “senha” para que se percebesse que não tínhamos outra intenção a não ser a de mostrar o local a um forasteiro.
Chegou a convidar-me para ir à caça, mas nunca aceitei porque, verdade seja dita, nunca foi coisa de que gostasse.

António Rato, o filho, Arnaldo e Jorge Santos