A equipa de futebol de salão do Comando tinha bons jogadores, onde se destacavam pela particular habilidade o Francisco Duro, o Mário Gouveia e o Laranjinha Martinho, estes dois “emprestados” ao ComZML porque pertenciam à CConst 2678 e à BTR 522, respectivamente.
O Martinho nasceu em S. Marcos da Atabueira, ao Sul de Beja, donde saiu com cinco anos de idade, para a cidade de Lagos, onde o pai era farmacêutico, profissão que ele também seguiu, e mais tarde viajou para Lisboa, onde se radicou.
Alentejano por nascimento, guardava a calma de um povo habituado a poucos luxos e à sobriedade dos acontecimentos, ao passo que a infância e adolescência numa cidade do Algarve lhe deram a boa disposição que saltava no momento exacto, numa inteligente forma de conjugar o humor com a oportunidade e que o tornava num bom companheiro de todos os momentos.
Laranjinha Martinho chegou ao Luso para render o também operador de cripto Ezequiel Rodrigues e passou a residir na casa deixada vaga pelo “velhinho” líder do conjunto musical “Mikes”.
Os criptos residiam todos perto uns dos outros e isso facilitava para nos reunirmos, quer quando passávamos as manhãs a treinar futebol de salão no campo do Ferrovia, quer para estar à conversa na pastelaria Cristália, na gelataria Apolo 12, nos cafés Universo ou Pic Nic, ou dando um passeio pela urbe.
E o Martinho estava sempre em todas e por isso era estimado pelo colectivo e para isso também contava a sua dedicação ao trabalho quando estava de serviço no CCP da ComZML.
Uma das coisas que caracterizava o Laranjinha Martinho era (e ainda é) o sotaque algarvio. O orgulho nas origens obrigavam-no a ter constantemente que dizer que era natural do Alentejo, o que deixava muita gente na dúvida por causa da pronúncia característica da região de “légus, d’ébo”.
Completava a dupla de criptos da BTR 522 o portista Iglésias, uma figura simpática mas diametralmente diferente do algarvio. E foi essa diferença que fez deles sempre grandes e inseparáveis amigos.

Eu e Laranjinha Martinho, na esplanada da casa de gelados “Apolo 12”, que ficava frente ao Luso Hotel, no dia 2 de Agosto de 1970
Lembro-me perfeitamente do rosto do Martinho.
Um dia destes vou publicar uma foto com o Rodrigues que só não me lembro se era Ezequiel!