abril 07, 2004

Os automóveis no Luso

No início dos anos setenta, falar em automóveis para a maioria do nosso povo, era assunto que muito pouca gente entenderia o que se queria dizer com o assunto. Isto para dizer que, apesar de tudo, no Luso, no Leste de Angola, lá no centro de África, onde o Diabo perdeu as botas, havia muitos automóveis se atendermos à população que ali vivia.

O Luís Cruz chegou a deslocar-se a Luanda, com amigos para irem buscar um BMW, um último modelo, pois o automóvel era uma forma de marcar a diferença social entre os civis.

O presidente da Câmara Municipal tinha um bonito Audi 100, como se impunha para um detentor de cargo oficial. O mesmo acontecia com os Mercedes dos militares.

Mas recordo-me de um mecânico ter dito a um cabo da Polícia Militar que ali ocupava os tempos livres a fazer uns biscates para ganhar mais uns tostões que deveria comprar um automóvel porque a sua posição social já o exigia.

O nosso amigo militar fez ouvidos de mercador porque as suas grandes deslocações eram feitas nos jeeps da PM e para andar na cidade todos os locais eram “já ali”.

Ainda tenho presente o pormenor de uma senhora que morava num pátio ao lado do Luso Hotel, mais precisamente em frente à casa de gelados “Apolo 12”, que para se deslocar à loja da esquina logo a seguir ao Hotel, se meteu no carro e fez a viagem.

E quem não se lembra das grandes passeatas que toda a gente que tinha automóvel dava ao domingo à tarde pelas ruas do Luso.

Até o alferes Martins, que em finais de 70, início de 71, foi para o Luso comandar o pelotão da PM, se apressou a comprar um Fiat 850. Uma máquina que não lhe dava para mais nada a não ser para quando queria ir ao café ou ao cinema.

Aliás, no dia em que chegou à cidade o Martins protagonizou uma cena caricata. Foi transportado ao café Universo, no jeep com o alferes que ia ser rendido e quando me viu quatro civis na viatura, perguntou: “o que é isto?” e apanhou como resposta: - uma viatura militar com três militares fardados e quatro à civil.
E lá fomos para os Comandos, onde teria lugar a “festa” de recepção aos ilustres “maçaricos”.


Uma velha viatura ligeira de transporte de mercadorias, em Agosto de 1970


Em Janeiro de 1971 este porche ficou neste estado em resultado de um desastre com um Hunimog da CConst 2678. Morreu um furriel

Publicado por Jorge Santos - Op.Cripto em abril 7, 2004 05:53 PM
Comentários

Lembro-me bem deste acidente do Porche com o Hunimog 404. Foi no cruzamento da Praça no caminho para os Dragões. O Hunimog passou-lhe por cima e morreu gente.
Obrogado por me transportarem para esse tempo.

Afixado por: José Cavalheiro Homem em abril 13, 2004 11:15 PM