A cidade do Luso não era muito grande. Hoje será maior certamente, até porque não precisa da vedação de arame farpado que, pelo menos em teoria, a delimitava.
Havia o “centro histórico”, que dito numa forma mais realista poderemos afirmar que notava-se onde estavam as primeiras casas a serem construídas e que deram origem à Vila Luso, mas também se viam, já naquela altura, modernas vivendas, um hotel e um robusto prédio onde funcionava o Banco Comercial de Angola e onde estava o Café Universo.
Edifícios de construção estilo “Estado Novo” como os Correios, o Palácio do Comércio e o Governo do Distrito davam-lhe um ar de “cidade”, assim como espaçosos jardins.
A estação do CFB e o Cine-Teatro Luena, relativamente perto um do outro, davam-lhe um ar cosmopolita.
As avenidas eram largas, numa perspectiva pombalina na concessão de cidade.
As ruas perpendiculares ao rio Luena todas tinham placa central, à excepção das duas dos extremos, enquanto que no sentido perpendicular nenhuma artéria tinha aquela configuração salvo a que acompanhava o caminho-de-ferro e onde estava a estação do CFB, enfrente à qual a imponente estátua de António José de Almeida.
Neste ambiente, à grande maioria dos militares, não acontecia o chamamento para que se fossem divertir nos quimbos.
Alguns dos nossos camaradas preferiam passar os tempos livres junto das populações negras em vez de estarem nos muitos cafés da cidade, mas estes não faziam a regra.
Exceptuando as vezes em que íamos passar a manhã ao banho no Luena, raramente nos infiltrávamos nos bairros “típicos” das populações desfavorecidas, onde não havia as mais elementares condições de salubridade para que ali vivessem seres humanos.
Poucos eram os negros que residiam nas casas da cidade e, à excepção dos que trabalhavam nos cafés e restaurantes, raramente os víamos a tomar uma cerveja no Pic-Nic, no Universo, na Esplanada-Bar, na gelataria Apolo 12, ou na pastelaria Cristália.
Para nós as idas ao quimbo não tinham outro fim que não o arranjar cenário para perpetuar a estada em África.


Visita ao quimbo perto da estação do CFB, no dia 11 de Maio de 1970

Estátua a António José de Almeida, frente à estação do CFB
Foto do site Os Luenas.

Vista aérea do Luso
Foto do site Os Luenas.