A malta nova sempre gostou muito de música. É de sempre esta constatação e embora os militares não saíssem para as operações de vigilância e defesa a ouvir telefonia, é certo que passavam muitas horas a ouvir as canções da época.
No Luso captávamos, como seria evidente, o Rádio Clube do Moxico, que emitia desde o alvorecer até à meia noite. E convém recordar que as emissões terminavam, todas as noites com a “clássica” «Angola é nossa».
Naquela estação passava a canção da Jane Birkin “Je t’aime moi non plus”, proibida no continente e que fez furor não só entre os militares mas também nas muitas jovens que residiam na cidade.
Recordo o Mário Albuquerque, um civil que ali fazia locução e que sabendo das nossas preferências musicais, passava todas as noites as canções proibidas do José Afonso. Foi a ouvir o Rádio Clube do Moxico que aprendi a letra do “Menino do Bairro Negro” e de “Os Vampiros”.
Porque no continente não havia possibilidade de conseguir estas canções, cheguei a pedir ao Mário Albuquerque para nos gravar estas canções do Zeca e depois enviámo-las para casa. Felizmente que nunca fomos interceptados nesta forma subversiva de fazer política.
A rádio fazia-nos também companhia quando estávamos de serviço nas unidades. Os criptos tinham sempre o “cantante” ligado e o mesmo acontecia nas secções, pois, na sua grande maioria, os oficiais responsáveis não se opunham a esta forma de “alegria no trabalho”.
Também tínhamos que ouvir o Paco Bandeira e o Fernando Farinha, que sendo pessoas de esquerda, nos brindavam, principalmente este, com um fado acerca do militar que quase fazia chorar as pedras, mas que, alheio a patriotismos baratos, quase ninguém sabe um único verso, se bem que toda a gente se lembre da sua existência.
O RCM dinamizava, aos domingos à tarde, um programa de discos pedidos pelos automobilistas que andavam às voltas pela cidade e dedicavam canções uns aos outros.
Na altura considerávamos aquilo tudo muito parolo, mas o certo é que todos se divertiam e era a prova de que a estação fazia intervenção.

Em frente ao ComZML, Mário Albuquerque e eu. Sentado na máquina está Fernando Curval

O Rádio Clube do Moxico está em fundo, nesta foto captada em 30 de Setembro de 1970
Estimados Srs nao posso comentar sobre este assunto. O que me traz ca e uma preocupacao que ja nao sei onde mais ir bater para ao menos minimiza-la. passo a expo-la: Procuro JOSE FRANCISCO DE FIGUEIREDO, filho de Maria Elisa, tropa colonial no Luso (Moxico)em periodos q vao possivelmente entre 1965-1971, tez branca, com cabelos pretos lisos. Foi marido de uma Sra de nome Priscila Alberto no Luso.Grande amigo de um tipo chamado BAGASUMO.
A filha deste senhor, chama-se Doroteia Elisa Alberto e e minha mulher, esta com 33 anos de idade e a mais de 10 que ajudo-a a procurar o pai.Possivelmente tenha ouvido dizer q a filha morreu o que nao corresponde a verdade.
Estas infelizmente sao as unicas referencias q temos.
Por favor se me puder facultar os contactos q poder sobre onde localizar arquivos, se puder dar-me telefones, emails ficar-lhe-iamos muito agradecidos.
Desculpem ter entrado aqui mais precisava mesmo.
Felicidades a todos voces.