A cidade do Luso não era incomodada pela presença de cães vadios e, embora houvesse por ali alguns exemplares do “fiel amigo do homem”, estes estavam nos quintais das vivendas, devidamente tratados.
Em determinada altura fiz amizade com um cão de raça pastor alemão que sempre que dava pela minha presença saltava o muro e acompanhava-me para todo o lado.
Este cão pertencia a uma das vivendas que ficavam perto da sede da Diamang-Companhia de Diamantes de Angola, creio que a artéria se chamava Rua Sociedade de Geografia de Lisboa. Como perto desta vivenda moravam os desenhadores da Companhia de Engenharia - o Fernando Brito e o Arnaldo, ambos de bigode, mas este sempre de preto vestido e com um “moustache” de artista plástico – eu passava com alguma frequência por lá e logo o belo do cão, que nunca soube o nome, se apressava a saltar o muro e me vinha fazer festas.
A amizade ficou de tal maneira cimentada que não sei quantas vezes aquele animal me seguiu até ao Pic-Nic e por ali ficava até que o mandasse para casa.
Quando passeava na cidade lá andava o cachorro comigo e chegámos a fazer autênticas “exibições” de destreza, como quem treina para um tatu militar, ou para um festival de circo.
Porque sempre me diverti a fazer judiarias servi-me várias vezes deste amigo de quatro patas para, beneficiando do facto dos operadores de cripto passarem as manhãs na cama, fazer uma ronda pelos quartos, abrir as portas e logo o bichano entrava a cheirar e a lamber o ilustre militar que dormia a sono solto e, incomodados com a presença do visitante o ensonado residente instintivamente dava uma volta na cama. Perante este gesto o “canito” assustado, batia em retirada mas, ao voltar-se, dava com a cauda na cara de quem já estava meio acordado e logo todas as pragas e um chorrilho de asneiras era disparado sobre mim, que, satisfeito por ter conseguido o objectivo, rumava a outra habitação para incomodar mais uma vítima.
O balanço destas manhãs era feito à tarde, quando todos nos encontrávamos num dos vários cafés.

Um belo exemplar junto ao recinto onde se realizou a Feira Comercial do Luso

Eu com o meu amigo no jardim em frente ao Governo do Distrito
Foi pena o "canito" ter ficado com a cara escondida e a mostrar-nos o traseiro! Será que ele não gostava do fotógrafo?
Afixado por: Luis Cruz em abril 16, 2004 07:32 PMSempre tive a ideia de que o "canito" tinha preocupações de segurança e, como tal, nuca se quis identificar. Note-se que nem o nome me disse...
Afixado por: Jorge Santos em abril 16, 2004 08:27 PMO "canito" seria um agente infiltrado, dos nazis, disfarçado de pastor alemão?
Afixado por: Luís Cruz em abril 16, 2004 10:12 PMOs alemães não precisavam infiltrar-se porque sempre se deram bem com o António das Botas.
O canito era alemão, mas devia ser da então RDA. Seria?
Sendo o António acólito dos nazis outra coisa não era de esperar.
Quem sabe o "canito" não terá feito essa pose devido ao António?