abril 18, 2004

Para mais tarde recordar

O meu recorde a tirar fotografias, conseguido num dos muitos passeios que fizemos pelo Luso, cifrou-se nos três rolos em duas horas. Isto quer dizer que foi disparada uma fotografia por minuto.

Isto quer dizer que muita gente que esteve comigo no Luena terá fotografias tiradas por mim, com a vantagem de, em relação às que normalmente aqui publico, eu não apareço.

Como era eu que revelava as fotografias, pois tinha um laboratório em casa, tive oportunidade de incluir, em todas as cartas que enviei para a família lá ia uma recordação e, embora só houvesse correio apenas duas ou três vezes por semana, todos os dias escrevia uma carta para a namorada e pelo menos uma ou duas por semana para os pais, em todas seguiam uma ou duas fotografias.

Pensei fazer - mas nunca concretizei - o levantamento fotográfico das vivendas, e algumas eram bem engraçadas, para mais tarde mostrar como era aquela cidade.

Muitas das minhas fotos têm como fundo casas bonitas do Luso e também edifícios públicos, que não eram muitos mas mostravam o estilo de arquitectura do Estado Novo.

Porque sempre me interessei um pouco por arquitectura, cheguei a conceber, à “mão levantada” uma vivenda que o Fernando Brito, desenhador da Companhia de Construções 2678, desenhou com todos os pormenores técnicos como um verdadeiro profissional sabe fazer e vendeu o projecto a uma senhora natural do Barreiro que, se a memória não me falha, se chama Luísa e morava em frente ao escritório da Aerangol.

Mas se os edifícios eram o espelho da arquitectura dos anos cinquenta e sessenta, os monumentos, não muitos, começavam a ter alguma modernidade.

A estátua a António José de Almeida, implantada na avenida do mesmo nome, em frente à estação do CFB, era de tipo clássico, assim como o monumento aos combatentes, no Jardim Oliveira Salazar, fronteiro ao Palácio do Comércio.

Mas havia um outro formado por dois arcos que cruzavam sobre um cone invertido de círculos, que estava no jardim em frente ao edifício do Governo do Distrito e que nunca percebi o significado.


Jorge Santos com o Leitão, telegrafista no ComZML

Publicado por Jorge Santos - Op.Cripto em abril 18, 2004 11:33 PM
Comentários

Esta fotografia permitiu-me rever um monumento cuja imagem já não constava dos meus registos de memória!
Tens razão, Jorge, quando referes a bonita arquitectura da cidade do Luso implantada num traçado pouco vulgar e muito interessante. É pena que nos falte a planta da cidade. Será que vai aparecer algum Luena ou antigo camarada nosso que vai apresentá-la? Fica o apelo.

Afixado por: Luís Cruz em abril 19, 2004 06:49 PM

É bom ver citada o nome da empresa de taxi aéreo que meu pai tinha em Angola , a Aerangol.
Alguém mais pode me recordar outras coisas ???

Afixado por: Vasco Manuel V.F.Corujo em junho 2, 2004 06:04 AM