Pode dizer-se que todos os que viviam no Luso estavam longe dos familiares. Havia também na cidade muitas famílias, a sua grande maioria nada tinham a ver com os tropas, que reuniam ali o seu núcleo central mas, mesmo estes tinham familiares mais afastados no Continente com quem queriam comunicar.
Todos os militares desejavam o dia do correio para saberem notícias dos mais chegados e logo se apressavam a responder pois sabiam que os pais, namoradas, esposas e, em muitos casos, os filhos aguardavam com ansiedade novas de quem estava na guerra.
É verdade que para muitos dos militares que estavam no Luso a guerra era mais de papel e esferográfica do que de tiros, mas para quem estava a milhares de quilómetros, tudo era África.
O edifício dos Correios, que albergava também as telecomunicações, era amplo e concebido para uma cidade em crescimento, mas pouco ou nada utilizado pelos militares. Estes tinham um serviço especial que era denominado SPM (Serviço Postal Militar) que, no caso do Luso, tinha o número de código 9816.
Por este serviço passava toda a correspondência dos militares, com distribuição duas ou três vezes por semana.
Editado pelo MNF (Movimento Nacional Feminino) havia os aerogramas, que eram uma folha de papel amarelo de 63 g/cm2, que tinha já impresso o esquema em que era dobrado, bastando uma lambidela na zona da cola para ficar fechado.
O Estado transportava estes aerogramas sem que o militar tivesse que pagar qualquer porte. As famílias, no Continente, tinham também acesso a este meio de comunicação.
Porque nos aerogramas era proibido incluir fotografias ou outro qualquer papel o aerograma não era muito utilizado pelos militares que viviam na cidade, até para dar às famílias a ideia de que, pelo menos para os selos, ainda tínhamos dinheiro.
O SPM funcionava no rés-do-chão do edifício do Comando e era desempenhado pelos cabos escriturários que, na sua especialidade, tirada em Leiria, tinham aprendido toda a técnica de carimbar selos e de pesar cartas, autênticos catedráticos da “Universidade da Estampilha”.

Edifício dos CTT no Luso. Foto do site Os Luenas

Junto aos Correios em 17 de Março de 1971