A cidade do Luso crescia e modernizava-se. Mas, poder-se-á dizer que era muito raro verem-se abrir novos estabelecimentos comerciais. Industrias nem vê-las mas, apesar de tudo, a cidade ia, aos poucos, melhorando as infra-estruturas.
Tudo era lento numa cidade que estava longe de Luanda.
A logística, independentemente da militar, era fraca e tinha como base o caminho-de-ferro, com o “mala” e o “camacove”, que faziam duas passagens cada no sentido ascendente e outras tantas no descendente.
Em finais de 1970 abriu no Luso um “bar americano”, que foi considerado um sucesso no meio masculino e, como é natural era forte numa urbe circundada por quartéis.
As empregadas do Pica-Pau eram umas jovens, quase todas vindas do Continente, para servirem às mesas e “pouco mais”. A troco de uma bebida, que era cara - basta recordar que uma garrafa de whisky custava na cantina militar sessenta escudos e na mesa a “módica” quantia de mil escudos – havia quem ganhasse um beijinho...
O ambiente era selecto com uns sofás, que rodeavam mesas baixas, como as que temos nas nossas salas de estar, e, ao contrário de um vulgar café, da rua não se tinha qualquer imagem do que se passava lá dentro.
A eventual “má” fama do novo bar começou a espalhar-se e alguns senhores da terra, para mostrarem à família que ali não se fazia nada de mal, chegaram mesmo a ir acompanhados das esposas que terão ficado descansadas quanto à integridade dos maridos.
Passou pelo Luso um chefe da Polícia que era meu conhecido e uma noite convidou-me a ir até ao Pica Pau, onde eu cheguei a acompanhar fado à viola, portanto, pertencia à casa.
O chefe Albino também já tinha estado no Pica-Pau e o seu à vontade - pensava ele - dar-lhe-ia alguns privilégios, como o aproximar-se das empregadas como se com elas tivesse uma intimidade que só ele conhecia.
Nessa noite, ao entrarmos, encontrámos logo à entrada uma jovem que, por estar de costas para nós recebeu do Albino um valente apalpão de nádegas.
Como resposta o Albino apanhou de imediato uma grande bofetada e tudo ficou no segredo da noite.
Publicado por Jorge Santos - Op.Cripto em abril 20, 2004 11:36 PM