Desde miúdo que comemorei o 1.º de Maio. Nos tempos de Liceu era costume irmos para o campo, com o pretexto de convivermos com as moças apanhar flores, mas não dispensávamos uma pequena intervenção de agitação, mais ou menos política, dependendo esta do grupo que se formara.
Quando iniciei a profissão de jornalista, a 27 de Abril de 1965, apanhei logo o feriado do 1.º de Maio que era extensivo a todos os trabalhadores dos jornais e tipografias..
Cheguei a Angola no dia 1 de Março de 1970 e tive a sorte de não estar de serviço no Comando da Zona Militar Leste no dia 1 de Maio desse ano, pelo que o pequeno grupo que estava preocupado com alguma actividade política não teve dificuldade em se organizar para uma pequena evocação da data, que eu estava habituado a comemorar
Em 1971, as coisas complicaram-se porque, pela escala no ComZML eu estava de serviço mas troquei com um outro camarada, embora não pudesse dizer porque motivo o fazia.
Mas nestas coisas há sempre alguém que está atento e nos chama a atenção, como foi o caso do primeiro-sargento José Azeitona Costa, que já me alertara para a vantagem de não levar a revista Seara Nova para o Centro Cripto, e “estranhou” o facto de eu ter trocado o serviço, visto que nunca o fazia.
Colmatado que estava o ligeiro contratempo que eventualmente poderia provocar alguma acção de repressão, havia só que colocar o plano das comemorações em marcha. E este estava traçado. Um almoço em minha casa com os militares de Setúbal que estavam no Luso, Etelvino Damásio, Francisco Duro, António Caneira, José Curto e Abílio Simplício.
Escolhemos a minha casa porque, se bem que normalmente tomássemos as refeições nos restaurantes, ali estaríamos mais protegidos de olhares curiosos do porquê daquela reunião à mesa.
E porque nem todos tínhamos os mesmos interesses políticos, ou pelo menos a mesma percepção dos riscos que se corriam por revelar os objectivos que nos levavam a tomar determinadas atitudes, diluímos a acção com passagens por cafés e passeios pela cidade, dando a ideia de que era um dia normal.
António Caneira, eu e Etelvino Machado, em minha casa no dia 1 de Maio de 1971
Militares do Luso comemorando o 1.º de Maio, em Setúbal, em 1973
Estimados Srs e Sras, Muitos sucessos e felicidades. O que me traz ca e uma preocupacao que ja nao sei onde mais ir bater para ao menos minimiza-la. passo a expo-la: Procuro JOSE FRANCISCO DE FIGUEIREDO (chamado INDIANO), filho de Maria Elisa, tropa colonial no Luso (Moxico)em periodos q vao possivelmente entre 1965-1971, tez branca, com cabelos pretos lisos. Foi marido de uma Sra de nome Priscila Alberto no Luso.Grande amigo de um tipo chamado BAGASUMO.
A filha deste senhor, chama-se Doroteia Elisa Alberto e e minha mulher, esta com 33 anos de idade e a mais de 10 que ajudo-a a procurar o pai.Possivelmente tenha ouvido dizer q a filha morreu o que nao corresponde a verdade.
Estas infelizmente sao as unicas referencias q temos.
Por favor se me puder facultar os contactos q poder sobre onde localizar arquivos, se puder dar-me telefones, emails ficar-lhe-iamos muito agradecidos.
Desculpem ter entrado aqui mais precisava mesmo.
Felicidades a todos voces.