As centenas de milhares de militares que tiveram que dar dois anos da sua preciosa juventude – alguns não viveram mais do que isso, porque uma bala traiçoeira, uma mina covarde ou um desastre numa curva da cidade, o levou para o Oriente Eterno – não tiveram todos as mesmas vivências em terras de África.
Mesmo os que cumpriram serviço militar em Angola tiveram dias muitos diferenciados uns dos outros, tudo dependendo da região para onde tinha sido destacado.
Nós, os que estávamos na cidade do Luso, quer os do Comando da Zona Militar Leste, quer os que estavam nas unidades ali sediadas, compreendíamos bem o que os verdadeiros operacionais sofriam. Aliás, nestas unidades, como os Comandos e o Batalhão, bem como os Dragões, tinham dias difíceis quando tinham que se embrenhar na mata.
Mas os que levavam a vidinha na cidade, número onde me incluo, tinham outras preocupações e algumas prendiam-se com o perceber as condições miseráveis em que viviam as populações nos quimbos.
Já aqui fizemos referência às bonitas e espaçosas vivendas que decoravam as bem desenhadas artérias da cidade, onde nos trajando as nossas melhores indumentárias, recreávamos, calcorreando horas sem fim, no intervalo de umas bebidas e refeições que tomávamos nas muitas salas similares de hotelaria.
Aos quimbos íamos apenas para tirar fotografias, e às vezes dávamo-nos ao luxo de vestir o camuflado - farda que nunca envergávamos a não ser para a deslocação de Luanda para o Luso e depois no regresso, e também na carreira de tiro - pois não teríamos outra oportunidade de mostrar à família um verdadeiro cenário de África. As “casas” de barro com telhado de colmo, onde para se entrar tínhamos de baixar a cabeça porque as paredes eram mais baixas do que um homem de estatura mediana, não nos mereciam outra atenção que não o servir de fundo para a fotografia.
E era este o pretexto que nos leva até aos bairros periféricos onde para chegar tínhamos que atravessar o arame farpado.
Enquanto que na cidade muitos eram os modelos de vivendas, nos quimbos as “casas” eram de modelo único.

Na picada a caminho do Rio Luena, em Abril de 1970
Estimados Srs e Sras, Muitos sucessos e felicidades. O que me traz ca e uma preocupacao que ja nao sei onde mais ir bater para ao menos minimiza-la. passo a expo-la: Procuro JOSE FRANCISCO DE FIGUEIREDO (chamado INDIANO), filho de Maria Elisa, tropa colonial no Luso (Moxico)em periodos q vao possivelmente entre 1965-1971, tez branca, com cabelos pretos lisos. Foi marido de uma Sra de nome Priscila Alberto no Luso.Grande amigo de um tipo chamado BAGASUMO.
A filha deste senhor, chama-se Doroteia Elisa Alberto e e minha mulher, esta com 33 anos de idade e a mais de 10 que ajudo-a a procurar o pai.Possivelmente tenha ouvido dizer q a filha morreu o que nao corresponde a verdade.
Estas infelizmente sao as unicas referencias q temos.
Por favor se me puder facultar os contactos q poder sobre onde localizar arquivos, se puder dar-me telefones, emails ficar-lhe-iamos muito agradecidos.
Desculpem ter entrado aqui mais precisava mesmo.
Felicidades a todos voces.