Nunca tinha pensado usar bigode nem barba. Não tinha nada contra as pessoas que deixavam crescer os pelos do rosto e reconheço até que foi uma moda nos finais dos anos sessenta, altura em que fui obrigado a ingressar no serviço militar.
Desde que a “penugem” começou a tomar forma de barba, passei a utilizar a “gillette” para me barbear. Quando ingressei no Batalhão de Caçadores 8, em Elvas, o rigor militar era sentido no mais pequeno pormenor e no Regimento de Artilharia Ligeira 4, em Leiria, deixou de ser rigor e passou a ser um tormento, chegando-se ao ponto de um director de instrução se preocupar em passar com um papel pela cara dos militares para punir a praça cuja barba se sentisse à passagem daquele “instrumento de inspecção”.
Porque as coisas ruins vão provocando revolta, quando cheguei ao Luso, dei por mim a não me barbear nos dias em que entrava no Comando da Zona Militar Leste, às oito horas da manhã.
Este gesto de “indisciplina” nunca foi reprimido e para isso deve ter contribuído o facto de poucas vezes ter cumprido aquele horário, pois como cada equipa só estava de serviço de três em três dias e como na maior parte das vezes trabalhava de tarde ou de noite, lá fui passando. Convém dizer que quando entrava mais tarde me barbeava porque quando andava à paisana não dispensava apresentar-me decentemente.
Como qualquer militar tem direito a um mês de férias por ano, aproveitei estas licenças para deixar crescer barba e bigode, embora ao fim dos primeiros quinze dias tivesse optado por ficar só com o bigode.
Mas nestas coisas há sempre quem esteja convencido de que está a zelar pelos interesses da Pátria e o nosso amigo Zeca Curto, meu conterrâneo e furriel da Polícia Militar, resolveu “incomodar-me” perguntando-me se eu tinha licença para usar bigide, respondendo-lhe que estava de férias e automaticamente autorizado.
Como nem tudo se conta à Polícia, nunca expliquei ao camarada de Setúbal e amigo – até porque na tropa não há amigos - que um militar, mesmo de licença, não pode alterar a sua imagem fisionómica.

Na esplanada da Pastelaria Cristália, em férias
Estimados Srs e Sras, Muitos sucessos e felicidades. O que me traz ca e uma preocupacao que ja nao sei onde mais ir bater para ao menos minimiza-la. passo a expo-la: Procuro JOSE FRANCISCO DE FIGUEIREDO (chamado INDIANO), filho de Maria Elisa, tropa colonial no Luso (Moxico)em periodos q vao possivelmente entre 1965-1971, tez branca, com cabelos pretos lisos. Foi marido de uma Sra de nome Priscila Alberto no Luso.Grande amigo de um tipo chamado BAGASUMO.
A filha deste senhor, chama-se Doroteia Elisa Alberto e e minha mulher, esta com 33 anos de idade e a mais de 10 que ajudo-a a procurar o pai.Possivelmente tenha ouvido dizer q a filha morreu o que nao corresponde a verdade.
Estas infelizmente sao as unicas referencias q temos.
Por favor se me puder facultar os contactos q poder sobre onde localizar arquivos, se puder dar-me telefones, emails ficar-lhe-iamos muito agradecidos.
Desculpem ter entrado aqui mais precisava mesmo.
Felicidades a todos voces.