julho 31, 2006

Ex-combatentes unem-se nas reivindicações

António Basto, presidente da Associação Portuguesa dos Veteranos de Guerra disse ao Correio da Manhã que as principais associações de antigos combatentes do Ultramar vão constituir uma federação, com o objectivo de ganharem “mais força nas lutas que, desde há quase 30 anos, têm vindo a travar com os vários governos.

“Há vários anos que sentíamos uma enorme necessidade de união, mas, por razões de vária ordem, só agora foi possível sentar à mesma mesa os dirigentes das principais associações e assumir um caderno reivindicativo comum e a elaboração dos estatutos de constituição de uma federação”, disse António Basto.

Ainda sem a questão totalmente encerrada, esta federação vai, pelo menos numa primeira fase, ser constituída pela APOIAR, de Lisboa; a APVG, de Braga; a Associação Nacional dos Combatentes do Ultramar; a Associação de Operações Especiais; a Associação dos Prisioneiros de Guerra; e a Associação dos Combatentes de Vila do Conde. Segundo António Basto, estas associações representam cerca de 90 por cento dos antigos combatentes.

Quanto à Liga Portuguesa de Antigos Combatentes, não pode integrar esta federação porque, diz António Basto, “trata-se de um organismo que pertence ao Ministério da Defesa e que, por isso, não tem, como as demais, uma natureza eminentemente reivindicativa”.

A contagem efectiva do tempo de serviço por aplicação da Lei 9/2002, a implementação da rede nacional de apoio aos portadores de stress de guerra, através da abertura às organizações não governamentais da capacidade para a resolução do problema e a eliminação das juntas médicas da Caixa Geral de Aposentações (já que os candidatos à aposentação são todos avaliados por juntas militares) – são os primeiros três pontos do caderno reivindicativo comum, já aprovado.

Mas os antigos combatentes, agora unidos, querem também a resolução definitiva da questão dos prisioneiros de guerra, considerando que os processos são demasiado lentos, a dignificação dos cemitérios militares das ex-colónias e a há muito prometida criação do Museu da Guerra Colonial. Depois das férias de Verão, as associações vão reunir-se para análise e aprovação dos estatutos, estimando António Basto que a federação nasça oficialmente no primeiro trimestre de 2007.

“Se não houver nenhum contratempo, estaremos mais fortes do que nunca a partir do próximo ano”, disse.

PERFIL

António José Coutinho Gonçalves Basto foi combatente em Angola, entre 1973 e 1975, e preside à Associação Portuguesa dos Veteranos de Guerra (APVG) desde Abril de 2003. Tem 54 anos (nasceu em Braga, a 18 de Março de 1952) e, com apenas 18 anos (em 1970), entrou nos quadros do Ministério das Finanças, onde percorreu toda a carreira, até se aposentar, há três anos, como chefe de Repartição.

Em Maio de 1973 assentou praça no Centro de Operações Especiais de Lamego (Rangers), onde concluiu o curso de Oficiais Milicianos. Como aspirante, partiu para Angola em Dezembro do mesmo ano, tendo sido colocado em Cabinda, uma das zonas mais quentes da guerra.

Regressou a Portugal apenas em Setembro de 1975, depois de ter sofrido as agruras da guerra civil angolana, tendo mesmo sido feito prisioneiro, ao longo de três dias, pela UNITA. Sócio desde a primeira hora da APVG, António Gonçalves Basto foi eleito presidente em meados de 2003.
"DEPOIS DE MORTOS NÃO VALE A PENA" (António Basto, presidente da APVG)

Correio da Manhã– Cada vez que se fala dos veteranos de guerra repetem-se as reivindicações. Porquê?

António Basto – Porque o Governo tem muita dificuldade em regulamentar a aplicação das leis. Pelo menos as que causam alguma despesa, mesmo que estejam em causa direitos inegáveis de pessoas que deram tudo pela Pátria. Repare que a chamada ‘Lei 9, que estabelece a contagem para toda a gente do tempo de serviço militar para efeitos de reforma, já tem quase cinco anos e ainda não está a ser aplicada, por falta de regulamentação. Ora, a única atitude que nos resta é insistir.

– Com o stress de guerra passa-se a mesma coisa?
– Aí o caso ainda é mais gritante, já que a lei saiu vai quase para sete anos. Para quem está doente, sete anos é muito tempo e se nós precisamos destas ajudas é enquanto vivemos, porque depois de mortos não vale a pena. Repare que nos últimos cinco anos morreram muitas centenas de antigos combatentes que nem conseguiram reformar-se mais cedo nem tiveram ajuda médica para o stress pós--traumático.

– Os antigos combatentes do Ultramar estão todos a aproximar-se da idade da reforma?

– Há muitos que já a passaram. Os que foram para Angola, logo em 1961, têm todos mais de 65 anos e os mais novos, como é o meu caso, estão nos 55. Ainda ontem li no CM que os militares de Abril vão receber, e é justo, mas nós também prestámos relevantes serviços à Nação.

– O que esperam do novo Ministro da Defesa?

– Trata-se de uma pessoa conhecedora da governação, já há-de ter ouvido falar dos nossos problemas e esperamos que os resolva o mais depressa possível.

Secundino Cunha

Publicado por Jorge Santos - Op.Cripto em julho 31, 2006 06:13 PM
Comentários

Já coloquei o seu blog,que só hoje conheci, nos "favoritos".
Parabéns pelo espaço aberto e inovador que proporciona.Já agora aproveito a boleia e a disponibilidade, que já vi que manifesta, para divulgar iniciativas semelhantes:A CCS do B.CAV 3882 que esteve no Leste,em Cangamba com a C.3543,a Cª3541 no Muié e a Cª 3542 no Alto Cuito(JUL72-NOV73 "rodando" então para Catete até SET74), vão ter o seu convívio no dia 16 de Setembro na Batalha no restaurante "A Aldeia de Santo Antão".Os contactos:219435309-967246576 ou josesilvacandido@hotmail.com.
Também podem contactar-me,embora não seja o organizador do convívio:vbm@netvisao.pt
Agradeço a divulgação com os meus respeitosos cumprimentos e reiteradas felicitações por este magnífico, útil e informativo blog
Victor Moura

Afixado por: Victor Moura em agosto 1, 2006 12:56 AM

NÃO TENHO FORÇA ANÍMICA, PARA PODER FALAR DO QUE PASSEI EM ANGOLA. SÓ SEI QUE NECESSITO DE AJUDA.
NÃO TENHO FORÇAS PARA TRABALHAR. SINTO-ME OLHADO
PELOS COLEGAS COMO SE EU FOSSE UM BICHO.
SÓ ME APETECE ESTAR LONGE DE TUDO.
SINTO-ME ACABADO. NÃO SEI O QUE DEVO FAZER.
A FAMÍLIA OLHA PARA MIM E SOFRE COMIGO, EMBORA EU TENTE FUGIR, PARA ELES NÃO ME VEREM NESTE ESTADO.
SÓ ME APETECE CHORAR E FUGIR, NÃO SEI PARA ONDE.
SE ALGUEM ME PODER AJUDAR, ME INFORME O QUE DEVO FAZER. O MÉDICO DIZ QUE SOFRO DE STRESS DE GUERRA.

Afixado por: JOSÉ MANUEL DA SILVA FERNANDES em agosto 22, 2006 07:23 PM

Peco por gentileza que passe esta informacao adiante. Meu pai e um ex-combatente em Angola foi primeiro cado da artilharia 3423 em 1973, mora atualmente no Brasil e gostaria de saber informacoes dos colegas de guerra. Lhe peco agradecidamente que passe esta informacao. Meu pai teve a sorte que poucos tiveram, as suas sequelas foram o vicio ao alcool por mais de 30 anos e hoje finalmente consegui parar e a 2 anos nao bebe mais e muitos pesadelos. Eu trabalho na Suica ha 6 anos, e morei em Portugal em Amarante. Adoraria saber que todos os seus colegas estao vivos e bem. Mas acredito sinceramente que muitos ja tenham morrido. Agradeco a sua atencao. Elisa Barradas Hotel Europa Champfer 7512 Suica

Afixado por: Elisa da Graca Barradas em setembro 1, 2006 10:39 AM

Por considerar que este governo, nada está a fazer, pelos ex-combatentes, que como eu deram o seu melhor, ao serviço da Pátria, aqui deixo em verso o dia que marcou a minha vida:
O DIA Z
Dia dezasseis de Junho
Fui fazer uma patrulha
D’espingarda em punho
Logo avistei um pulha!
-
E fui até à sua guarita
Onde estava de guarda
De conversa esquisita
Uma patrulha não tarda!
-
E eu fiquei sob a mira
De uma moderna F N
Se ele se mexer, atira
Diz o chefe do sector N!
-
Fui de olhos vendados
Segui como prisioneiro
E com vários soldados
Fui para meu cativeiro!
-
E de noite nessa prisão
Onde comer não havia
Aguardei na escuridão
Até que chegasse o dia!
-
De dia fui ao aeroporto
Para dentro dum avião
Com fome estava morto
E fui para outra prisão!
-
O avião ergue-se no ar
E eu com fome de vaca
Ainda o senti aterrar
Bem perto de Luzaka!
-
Sem ter onde m’acoite
Meu ser as tripas acha
Ai quando passa a noite
Numa metalizada caixa!
-
E fui para nova prisão
E dias depois julgado
Como se fora o ladrão
De crime o condenado!?
-
Recorreu da sentença
Lá, o supremo tribunal
E por não haver ofensa
Podia vir p’ra Portugal!

-
Não o quis presidente
E tudo ele lá enguiça
Ministro não consente
E se demite da Justiça!?
-
Fui bater com o couro
Para uma outra prisão
Fiquei lá como o touro
Na praça com o portão!
-
Tinha cama e colchão
E que fazer a comida
Com um antigo fogão
Vejam só minha vida!
-
E por ser à Pátria fiel
P’ra comer parti lenha
De noite ia a um hotel
E comia sem a senha!?
-
Nem sempre como cão
Na prisão fui tratado
Com a manta no chão
Lá dormia destapado!
-
E comia com as mãos
Comer que Deus deu
Para os meus irmãos
Seus pratos lavava eu!
-
Soldado vais á guerra
Mas podes ser oficial
Não estás na tua terra
Não te tratam por tal!?
-
José Silva


Afixado por: José Silva em junho 16, 2007 07:36 PM

Olá amigos e camaradas.
Gostaria imenso de contactar com colegas do batalhão 357 1962/64 Angola.
O meu nome é Jose Antonio Santos e era 1º Cabo RadioMontador na companhia de comando e serviços.
Estive em diligência no Batalhão de Transmissões de Luanda onde prestei serviço como RadioMontador.
O meu telemóvel é: 965143571 e o telefone 282109233.
Um forte abraço

Afixado por: Jose Antonio Santos em novembro 9, 2007 09:36 PM

Estive em Angola de 1973 a 1975 na companhia nº 10 de FUZILEIROS p/ LUANDA o pelotao foi em deligencia p/ a companhia nº6 destacamento da Marinha do ZAMBEZE para o CHILOMBO. No dia 15-11-73 numa missão de reconhecimento da-se um terriovel acidente devido ao rebentamento de uma mina num animogue onde seguia eu proprio nº1561/71 o marinheiro Jose Franco Belo (Cowboy) meu chefe de equipa, o Tenente Cavaco, Sargento Santos e o Cabo de apelido Barrote, onde o marinheiro Jose Franco belo veio a falecer em meus braços horas mais tarde com as lesoes provocadas pela explosão. Ficamos de seguida todos entrgues ao Sargento Enfermeiro Polvora.
Gostaria de encontrar camaradas de quem perdi todos os contactos por ter estado fora muitos anos.
Horacio Augusto Leitao Costa de Castro Daire ( no distrito de Viseu)
Meu contacto 934098536
Email toni_leitao@sapo.pt

Afixado por: Horacio Augusto Leitao Costa em novembro 24, 2007 01:27 PM

A todos os Oficiais que prestaram serviço no Luso!

Gostaria de estabelecer contacto com ex-combatentes, oficiais milicianos ou do quadro,que estiveram no Luso,a fim de reagirmos ao insulto que Francisco José Viegas fez a todos os Oficiais que lá prestaram serviço.
Luís Enes (osirislux@gmail.com)

Afixado por: Luís Enes em janeiro 18, 2008 06:56 PM

ola

Afixado por: Luís Enes em janeiro 18, 2008 08:52 PM

Gostaria de contar com camaradas e amigos da 25.ª
companhia de comandos.

Afixado por: antonio alves proença em fevereiro 10, 2008 12:11 AM

Gostaria de contar com camaradas e amigos da 25.ª
companhia de comandos.

Afixado por: antonio alves proença em fevereiro 10, 2008 12:12 AM

Ola a todos os camaradas da CART 3416 no Leste de Angola de 71/73, contactem o furriel vagomestre
atravez deste E-mail, um bem haja para todos

Afixado por: Daniel Oliveira em fevereiro 20, 2008 11:53 PM

Ola a todos os camaradas da CART 3416 no Leste de Angola de 71/73, contactem o furriel vago-mestre
atravez deste E-mail, um bem haja para todos

Afixado por: Daniel Oliveira em fevereiro 20, 2008 11:55 PM

Ola procuro contacto com colegas da companhia 2517 que prestou serviço melitar em Angola 1969 a 1971

Afixado por: Jose Pereira de Araujo em fevereiro 21, 2008 05:47 PM

Ola, o meu pai esteve em Angola na Cavalaria 2330 durante 1966-69 e gostava imenso contactar os colegas antigos que prestaram servico com ele. Se alguem tiver informacoes por favor o contacto e o seguinte 00447961183746 ou por email. O meu pai vive em Londres ja a 35 anos e gostava imenso conhecer os colegas dele. Obrigado.

Afixado por: Sandra dos Santos em março 3, 2008 11:24 PM

meu pai JOSE SAN PEDRO PUIG serviu a guerra do Franco quero saber se aminha mãe tem direito a pensão. meu pai chegou no Brasil em 1953 faleceu em 1990

Afixado por: JOSE HENRIQUE em setembro 15, 2008 04:10 AM

o meu pa serviu a guerra do Franco nunca recebeu nada, seu amigo patricio que vei junto com ele da Espanha conseguiu receber mas o meu pai a té hoje nada meu pai contava que ficou refén mais de 6 meses. Ele chegou no Brasil em 1953. por favor me ajuda. Eu não estou roubando nada de ninguem é meu direito por léi.obrigada;

Afixado por: JOSE HENRIQUE em setembro 15, 2008 04:21 AM

AMIGOS E CAMARADAS DO REGIMENTO DE CAVALARIA:

GOSTARIA DE CONTACTO COM ALGUM CAMARADA DA COMPANHIA DE CAVALARIA 2499 "Os FIRMES", PERTENCENTE AO BATALHÃO DE CAVALARIA 2870 - DESTACADA EM ANGOLA (Leste e Norte)em 1969/1971.
Abraço
Mano Belmonte

Afixado por: Germano Ferreira - ManoBelmonte em outubro 16, 2008 01:21 PM

MALTA DA 2499 POR ONDE ANDAM

Afixado por: valter sol. condutor em novembro 11, 2008 07:58 PM

José Pereira Araujo é um nome que não está na minha memória,talvez com algumas dicas me venha a lembrar.Eu era Furriel do 4ºPelotão da Cart 2517.aquartelado em Vista Alegre.

Afixado por: José Gaspar em fevereiro 21, 2009 10:58 PM

Gostava de entrar em contacto com o pessoal do Batalhao 114, Companhia 115, o nosso capitao era o Capitao Falcao.

Eu era mais bem conhecido por BRAGANCA.

Um abraco de saude para todos que la estiveram.

Afixado por: Antonio Domingos Sousa em março 21, 2009 04:39 AM

ACERCA-DAS-REIVINDICAÇÕES gostaria de entrar em contacto com o autor destas iniciativas sr Secundino Cunha, mais informo este meu camarada que sou de 1963 a 1966,cumpridos no Inclave de Cabinda-Angola, argradeço caso queira entre em contacto comigo acerca do acima indicado por correio-electrónico e-mail: (saidiur_dias@hotmail.com)
Um abraço.

Afixado por: Joaquim Dias em março 21, 2009 05:38 PM

Por favor gostaria de saber: sou portugues vivo atualmente no Brasil, servi por 2 anos, gostaria de saber se tenho algum direito.

obrigado

Afixado por: José em junho 23, 2009 07:06 PM

sobre os ex combatente da guerra do franco eu não tive nem uma resposta.

Afixado por: jose henrique em agosto 10, 2009 11:00 PM

Boa tarde a todos,
Chamo-me Augusto dos Santos Marques e estive em Luanda, de Dezembro de 1969 a Janeiro de 1972, como soldado na Polícia Aérea no aeroporto, em serviço militar, em que o meu número era 75/69.
Venho por este meio solicitar a vossa ajuda, uma vez que não tenho contacto com os meus colegas há mais de 37 anos.
Já fiz várias pesquisas na Internet e, com muita pena, não consegui nenhuma resposta.
Caso haja alguma resposta vossa agradecia que me contactassem para o e-mail: manelahst@hotmail.com, ou para o telemóvel 965 065 165.
Com os melhores cumprimentos.
Agusto Marques

Afixado por: Manuela Marques em setembro 11, 2009 10:39 PM

ola,o meu pai pertenceu á Cavalaria 3 em Estremoz,no Batalhão 2870,na companhia 2499,e esteve em Angola de 1969 a 1971. o meu pai queria saber,quem tem informaçoes deste batalhao,e quando se reunem para fazer o almoço anual. obrigado

Afixado por: Patricia Oliveira em outubro 10, 2009 01:26 PM

Olá Patrícia,
Não sei dizer-lhe quando reúne o Batalhão de Cavalaria a que seu pai pertenceu, mas experimente entrar em contacto com os organizadores do convívio do ano passado, que teve lugar em Maio, em Almeirim.
Os contactos que temos são:
Sampaio 939 316 736
Cruz 919 885 234
Moreno 918 788 358
Carlos Paulo 965 622 367

Afixado por: Jorge Santos em outubro 10, 2009 08:12 PM

Olá Camaradas do B. CAV. 3882 - C. CAV. 3542 (SERVIR)
Sou filho do ex-1º CABO Geraldo RAIMUNDO que era o "barista" do Bar de Oficiais.

Faz hoje dia 31/10/2009 que o vosso camarada partiu aos 56 anos, vítima de cancro.

Saudações a todos

Valter Raimundo
aspirante-rai@iol.pt

Afixado por: Valter Raimundo em outubro 31, 2009 01:05 PM
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